O estudo anual “Education at a Glance” revela que 25% dos alunos de ensino superior no Brasil abandonam os estudos no primeiro ano. Apesar disso, o diploma de ensino superior quase triplica o salário dos brasileiros, uma das maiores diferenças entre os países analisados
O relatório “Education at a Glance (EaG) 2025” da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela dados preocupantes sobre o ensino superior no Brasil. De acordo com o documento, que analisa sistemas educacionais em 38 países-membros e parceiros, incluindo o Brasil , um em cada quatro estudantes brasileiros abandona a universidade após cursar apenas um ano, uma taxa que é quase o dobro da média da OCDE. Especificamente, 25% dos estudantes no Brasil que ingressam no bacharelado abandonam os estudos no primeiro ano, enquanto a média da OCDE é de 13%. Além disso, o relatório indica que, mesmo após três anos do prazo esperado para a conclusão do curso, menos da metade dos estudantes (49%) termina a graduação, um número significativamente inferior à média da OCDE, que é de 70%.
Apesar do desafio da evasão, o relatório destaca a importância do diploma de ensino superior no Brasil para a empregabilidade e salários. O estudo aponta que, no Brasil, o salário de um profissional com ensino superior é, em média, 148% maior do que o de alguém que possui apenas o ensino médio. Essa diferença salarial é maior que a média dos países da OCDE, que é de 54%. O Brasil só fica atrás da Colômbia, com 150%, e da África do Sul, com 251%. No entanto, o acesso ao ensino superior no país ainda é limitado: apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais possuem diploma, segundo dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O relatório também traz à tona outra preocupação social: a taxa de jovens que não estão empregados, não estudam e nem estão em treinamento (NEET). No Brasil, essa taxa é de 24% para jovens de 18 a 24 anos, um percentual maior que a média da OCDE, de 14%. A disparidade de gênero é visível, com 29% das mulheres e 19% dos homens sendo NEET em 2024, diferentemente da maioria dos países da organização, onde as taxas são semelhantes. As altas taxas de evasão no primeiro ano universitário no Brasil “podem sinalizar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou as exigências de seus programas”, conforme o documento, sugerindo que a falta de orientação profissional e apoio aos novos estudantes pode ser um fator determinante.
A pesquisa também aponta que a qualidade da educação pode ser um fator limitante. Outro estudo da OCDE, a Pesquisa de Competências de Adultos 2023, mostra que 13% dos adultos com ensino superior em 29 países da organização não conseguem atingir o nível básico de proficiência em alfabetização, o que significa que têm dificuldade para compreender textos simples. O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma que as baixas taxas de conclusão do ensino superior “prejudicam o retorno do investimento público, agravam a escassez de competências e limitam o acesso a oportunidades”. Ele sugere ações como o fortalecimento da preparação acadêmica e orientação profissional no ensino médio, bem como a criação de programas de ensino superior com sequências de cursos bem definidas e medidas de apoio. Outra recomendação é a implementação de opções de ensino superior mais inclusivas e flexíveis, como programas para estudantes do ensino profissional e processos de admissão que reconheçam diversos perfis de alunos.
Fonte: Agência Brasil.
